Blog do Tancredo Junior

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Frivolidades da nossa política

Publicado por tancredojr em Novembro 28, 2008

Crônica do Tan               

                            

 

O Brasil está se consolidando como um país sério e democrático. Estamos caminhando para mais um pleito eleitoral, com as eleições mais bem estruturadas de todos os tempos.

Temos tecnologia de ponta, que nos permite saber o resultado das urnas eletrônicas poucas horas depois de encerrada a votação. Mesmo nos redutos mais remotos, lá no Amazonas, ou nos confins do Oiapoque, os dados são enviados por satélite, sem o menor risco de erro ou fraude. Nem o Tio Sam dispõe de tamanha competência no que tange à apuração eleitoral.

Nada mal para um país que completa em 2008 vinte anos de democracia plena. Parece que foi ontem. Eu era um adolescente, iniciando na militância política da UNE em minha cidade quando a Carta Magna foi promulgada, em 1988, trazendo grandes conquistas e direitos que nos haviam sido surrupiados pelos milicos (isso eu sei porque meu pai contava).

 

 

Talvez o Partido dos Trabalhadores se fie naquela máxima: “somos um país de gente que esquece facilmente das coisas”.

 

Nossas instituições estão mais firmes do que nunca. De vez em quando o Executivo, o Legislativo e o Judiciário balançam, mas não caem. Umas rusguinhas aqui, outras ali, e vamos levando. O governo federal edita uma medida provisória, o congresso faz biquinho e tranca a pauta de votações, magistrados acusam a Abin e a PF de grampo telefônico, um juiz (chefe da mais alta Corte do país) libera da cadeia uns banqueiros acusados de fraude no sistema financeiro, e ainda proíbe que a polícia os algeme. Coisinhas bobas, típicas de democracias latino-americanas. Não tem problema. Ainda estamos amadurecendo nossos pilares judiciários. “A jurisprudência no Brasil ainda é recente e precisa se fortalecer”, disse um juiz. Quem um dia vir a depender do judiciário para dirimir suas demandas está perdido!

 

A exceção são alguns casos – poucos, é claro! -, de corrupção em todas as esferas do poder público. O destaque é para o Poder Executivo, campeão da bandalheira institucionalizada.

Mas fazer o quê? Se até mesmo o presidente da República se diz vítima de amigos – e familiares – envolvidos em malandragem envolvendo o desvio de grana pública, imagina o resto. Coitado! A vantagem (ou será desvantagem?) é que ele é sempre o último a saber das coisas, ou pelo menos é isso que ele afirma, que “não sabia de nada”.

 

Mais da metade dos eleitores não se lembra em quem votou nas eleições passadas, imagina se vai lembrar de quem roubou ou deixou de fazê-lo.

 

O PT é o partido da vez. Embalado pela popularidade ascendente do presidente Lula, pretende eleger mais prefeitos e vereadores do que antes. Mas esquece-se que seus dirigentes estiveram envolvidos num dos mais crassos casos de corrupção partidária que se tem notícia. Talvez o Partido dos Trabalhadores se fie naquela máxima: “somos um país de gente que esquece facilmente das coisas”. É verdade. Mais da metade dos eleitores não se lembra em quem votou nas eleições passadas, imagina se vai lembrar de quem roubou ou deixou de fazê-lo. Por exemplo, quem se lembra que o PT não apoiou a aliança partidária que elegeria Tancredo Neves, em 1984, e também não assinou a Constituição de 1988?

São as frivolidades da nossa política.

 

 

O Brasil é um país engraçado, multifacetado politicamente. Um cientista político baiano me disse que somos um eleitorado complexo, sem muita definição ideológica. Votamos no candidato, não no partido. Ele me dá como exemplo a cidade de Salvador. “Os soteropolitanos votam ao mesmo tempo no carlismo, em ACM [o falecido senador] e também votam em Lula para presidente”. Taí. Característica clara de eleitorado com indefinição político-ideológica. Ou seria uma qualidade de eleitorado pluripartidário?

 

Quem se lembra que o PT não apoiou a aliança partidária que elegeria Tancredo Neves, em 1984, e também não assinou a Constituição de 1988?

 

As eleições municipais de 2008 representam um divisor de águas para 2010. A “infidelidade” que o eleitor demonstrou nas urnas, levou a surpresas, algumas nem tanto. Em São Paulo, a maior capital do país e referência política para a composição do cenário na disputa presidencial, esperava-se confirmar a força de Lula em transferir votos para sua pupila Marta Suplicy, o que não aconteceu, de fato. O presidente é bom de voto, mas patinou na tentativa de garantir a prefeitura paulistana. Talvez, agora seja o momento de auto-afirmação da liderança do governador José Serra, que deu um chega-pra-lá em Alckmin (teoricamente seu concorrente no PSDB), e virtualmente sai na frente de Aécio na briga pelo Planalto. O governador costurou a aliança entre tucanos e democratas, demonstrando firmeza e comando da situação e conseguiu o que queria: eleger seu boneco de Olinda, Gilberto Kassab.                                      

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Esta crônica foi originalmente publicada na revista acadêmica Urna de Notícias, do 6º semestre de jornalismo na Universidade Paulista, para o Projeto Integrado de Comunicação (PIC).

Autor: Tancredo Junior

Tancredo Junior, 35 anos. Jornalista, radialista, publicitário e empresário, é sócio da empresa Publicitarget Comunicação.

 

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“Kinky Boots” e suas inter-relações com as teorias da Psicologia do Consumidor

Publicado por tancredojr em Setembro 30, 2008

“Kinky Boots” e suas inter-relações com as teorias da Psicologia do Consumidor

Por Tancredo Junior – 21/09/08 
 
 
 

Quem vê o filme “Kinky Boots” logo de cara o associa com vários fatores que estão relacionados com os conceitos aplicados na disciplina “Psicologia do Consumidor”. Baseado em fatos reais, a idéia central é mostrar que a globalização moderna – ocorrida com mais veemência a partir do início do século XX, tem características particulares aplicáveis no dia-a-dia de consumidores e produtores.

Essa inter-relação é clara e evidente quando aborda questões até então pouco percebidas, principalmente, por empresas familiares, que há décadas se dedicavam a fabricar um único tipo de produto, sem a preocupação de diversificar seu portfólio. O filme tenta mostrar que a falta dessa percepção pode levar à falência pequenas, médias e grandes empresas, de qualquer segmento, em qualquer lugar do mundo.  

Mesmo uma empresa tradicionalmente reconhecida pela qualidade e unicidade de seu produto ou serviço, mais cedo ou mais tarde será desafiada a inovar, se quiser sobreviver no mercado altamente competitivo e voraz. Esse mercado, cada dia mais globalizante, não perdoa aquelas empresas que se acomodam diante da falta de criatividade e alienação diante das inovações tecnológicas em produtos e serviços.

A fictícia fábrica de sapatos Price, reconhecida por fazer sapatos que duram a vida inteira, de repente se vê diante de uma nova realidade mercadológica: produzir sapatos mais baratos, que não duram mais que um ano, para competir com concorrentes de outros países, que oferecem calçados a preços mais baixos, porém com menor qualidade. Esse é o “problema”. Um excelente sapato, de marca tradicional, feito à mão e que tem um controle de qualidade que garante sua alta durabilidade dificilmente conseguirá ser produzido a um preço competitivo, frente a marcas novas e importadas, porém menos duráveis e bem mais baratas. 

Quando o valor agregado (custo-benefício) de um produto ou serviço de determinada empresa é desproporcional ao dos seus concorrentes, surge, então, um empecilho para sua efetiva comercialização. Tomando-se como exemplo um sapato de couro, faremos uma equação matemática para aferirmos o seu real valor de venda para o consumidor final. Basta somar o custo e o benefício. O cálculo é simples: custo é o investimento empregado na fabricação do produto, somando-se desde o gasto em energia elétrica, matérias primas, mão de obra qualificada e impostos, por exemplo. Tudo isso somado gera um custo de produção do produto, que será somado à margem de lucro do fabricante. Já o benefício é a soma de valores importantes atribuídos ao produto – no caso a durabilidade, a confiança e tradição da marca, o conforto, a exclusividade e status que a marca representa. Juntos, o fator custo-benefício ditará o preço final que esse produto terá no mercado, atribuindo-lhe um valor agregado, que pode ser superior ou inferior a outras marcas. Porém, nem todos os consumidores avaliam essa relação de valor agregado de um produto, e levam em conta tão somente o menor preço, em detrimento da qualidade. 

Em “Kinky Boots” percebemos, ainda, que se uma empresa não concorda em praticar as mesmas regras de seus concorrentes, abdicando da valoração de seus produtos e preceitos que defende como fundamentais – como a qualidade final de seus produtos, por exemplo – então é melhor diversificar, ou até mesmo mudar sua linha de produção. Para tanto, a busca por novos nichos de mercado e a criação de novos produtos exclusivos e específicos para esses possíveis novos consumidores é fundamental.

É necessária, após a descoberta de novos mercados, a percepção das necessidades desse universo consumidor, identificando e despertando desejos de compra.

Se não o fizer, com certeza tal empresa estará fadada ao fracasso.

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Esse texto foi originalmente construído para a matéria Psicologia do Consumidor, do 6º semestre do curso de Jornalismo, na Universidade Paulista, Campus Marquês.

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O triste e intransigente legado do governo Lula

Publicado por tancredojr em Setembro 23, 2008

O triste e intransigente legado do governo Lula

Por Tancredo Junior – 21/09/08

 

Está em trâmite, e aguardando parecer final no Supremo Tribunal Federal, uma resolução que pretende acabar de vez com a exigência do diploma de nível superior para o exercício da profissão de jornalista. Sindicatos e associações representativas dos jornalistas em todo o País pressionam os ministros do STF para que votem contra essa medida predatória e injusta com os profissionais que cursaram uma faculdade, e aqueles que estão se formando ou que iniciaram o curso recentemente.  

Não precisa ser nenhum gênio para entender que o lobby das empresas de comunicação é forte, pois para elas é mais que interessante a desregulamentação do setor. Não havendo a necessidade do diploma, qualquer Zé Mané pode reivindicar o título de jornalista e trabalhar para ganhar qualquer merreca. Com isso, a qualidade do jornalismo nacional passaria a ficar duvidosa. Se os estagiários de jornalismo já são explorados hoje, recebendo salários vergonhosos e obrigados a fazer de tudo, imaginem sem a necessidade do diploma.

Esse projeto conta com a passividade do governo federal e do próprio Ministério da Educação, que provavelmente cedem de joelhos diante do poder das grandes corporações.

 

Esse governo Lula é mesmo incrível. Basta sair uma pesquisa de opinião pública que confirme o aumento da popularidade do presidente da República, e pronto. Eles acham que podem fazer passar no congresso qualquer projeto de lei que agrida os direitos dos cidadãos, previstos até na Constituição Federal.

Agora, como se não bastasse, é a vez do Ministério da Justiça, que tenta emplacar, meio que à surdina, um projeto de Lei que tem como objetivo amordaçar de vez os jornalistas e empresas jornalísticas, ou seja, jornais, revistas, emissoras de rádio e TV.

Pelo projeto de Lei apresentado pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, tanto jornalistas quanto empresas do setor estariam proibidos de divulgar o conteúdo de conversas gravadas por meio de escutas telefônicas.

Quem pisar na bola e divulgar o conteúdo das gravações pode ser punido penalmente, com pena de prisão.

Pelo menos nessa briga jornalistas e empresários parecem dar as mãos. Afinal, ninguém quer ver o sol nascer quadrado.

 

Esse PL é uma afronta desmedida, capciosa, perniciosa e inconstitucional à liberdade de imprensa. Fere a própria Lei de Imprensa, que já prevê sanções específicas para profissionais e empresas jornalísticas. Seria uma nova lei da mordaça.

Parece que os petistas esqueceram do período de obscuridade que vivemos durante a ditadura militar. Querem fazer pior que os generais, que com toda truculência e desrespeito aos direitos de liberdade de expressão, promulgaram a Lei de Imprensa em pleno regime ditatorial. O PT quer entrar para a história. O próprio Lula saiu-se com mais uma de suas célebres pérolas, quando disse que qualquer outro presidente trará sobre seus ombros a obrigação de fazer mais do que ele; se não, terá feito menos que um simples metalúrgico. Triste legado para o próximo presidente. Ser mais intransigente que o atual governo, impossível. Nem quero mais ser candidato.

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Quem tem medo de grampo?

Publicado por tancredojr em Setembro 23, 2008

Quem tem medo de grampo?

Por Tancredo Junior – 13/09/08

 

O recente episódio envolvendo as escutas telefônicas de diálogos entre o ministro Gilmar Mendes, presidente do STF, e o senador Demóstenes Torres – supostamente feitas pela ABIN – causou um mal estar generalizado em Brasília, principalmente entre os congressistas, políticos do alto escalão, magistrados e ministros de Estado. Pelo jeito, a ferida ainda está aberta. Até mesmo o presidente Lula – que agora teme pela segurança de sua família – acha que seus filhos estão sendo “investigados”, não se sabe por quem.

O temor é de que a intimidade alheia esteja em perigo evidente, e as conversas telefônicas deixem de ser privadas – se é que já não é assim, há tempos.

Se, de fato, algum “araponga” particular ou vinculado a uma instituição governamental fez os grampos, resta saber a mando e interesse de quem.

O evocativo do direito à privacidade embasa-se na garantia constitucional de que esse tipo de procedimento – o grampo telefônico – só pode ser realizado mediante autorização judicial, quando solicitado pelo órgão responsável pela investigação – no caso a polícia, e quando há indícios evidentes contra o investigado.

Se não forem obedecidas essas regras básicas, comete-se um grave incidente de segurança, punível com pena de reclusão.

 

Preocupação ou exagero?

Apesar de concordar com o ministro Gilmar Mendes, que defende a apuração veemente do caso, compreendo, porém, que quando se afirma que “qualquer cidadão está sujeito a ter suas conversas telefônicas gravadas e monitoradas ilegalmente”, me pergunto se realmente tenho alguma coisa a temer em meus diálogos no celular ou telefone fixo no dia-a-dia.

É, na verdade, um certo exagero afirmar que todos podemos, um dia, ser vítimas desse tipo de violação. Ora, o que podemos temer, eu e você, caro leitor, simples mortais, viris trabalhadores desse Brasil, que labutam a lida diária e honestamente? Nada!

É sabido que pessoas que lidam no jogo do poder político podem estar sujeitos a investigações, legais ou não, devido aos cargos e influência que exercem. Não obstante, sabemos, por exemplo, que a espionagem industrial existe, de fato, e utiliza-se de meios parecidos ou mais complexos. Isso já aconteceu antes. Lembram-se do caso de espionagem envolvendo a Kroll? E o episódio da quebra do sigilo bancário do caseiro, que derrubou o ministro Palocci?

Suspeita-se que tais práticas são heranças da ditadura, que utilizava os serviços do antigo SNI, sem escrúpulos ou regras, para grampear conversas de políticos, empresários, juízes e líderes de movimentos pró-democracia.

Esse é mais um fato isolado, ligado aos meandros do poder. Não há o menor nexo essa temeridade nacional.

 

Quem não deve não teme

Se meu telefone fosse grampeado, provavelmente não aconteceria esse estardalhaço todo. O caso passaria batido, provavelmente.

Mas essa repercussão toda é por causa de gente importante, é obvio. Logo se faz necessário descobrir os culpados com certa urgência.

Claro que não posso concordar e achar normal que pessoas – influentes ou não – tenham seus telefones grampeados. Isso é crime e precisa ser punido. Mas daí achar que, enquanto cidadão comum, um dia eu venha a ser vítima desse tipo de bisbilhotice, é uma neurose absurda. Sem falar que as chances disso acontecer são de uma em 170 milhões. Seria a mesma probabilidade de ganhar, sozinho, na megasena acumulada. Entre as duas, prefiro apostar na segunda, apesar de não ser adepto de jogos de azar.

O velho ditado popular “quem não deve, não teme”, é a única garantia que temos diante de uma possível investigação, clandestina ou legal. Se não tenho nada a esconder, então não preciso ter medo de falar ao telefone com meus amigos, colegas, parentes ou clientes.

Não estou fazendo apologia à espionagem, muito pelo contrário. Reafirmo veementemente que tal prática feita de forma ilegal precisa ser denunciada e expurgada.

O que não se pode é permitir que uma aura de insegurança institucional paire no ar, criando a sensação de que há um “poder paralelo” ao Estado democrático e de direito, espionando os cidadãos acima de qualquer suspeita, transformando-os em possíveis “inimigos do Estado”. É isso o que querem nos fazer crer alguns membros do poder público, quando concedem entrevistas insinuando que há um certo “grupo dos treze”, composto por sabe-se lá quem, formado com o objetivo de chantegear gente importante. É a nova teoria da conspiração “made in Brazil”. Mas teorias precisam ser provadas.

 

A imprensa requenta pautas de gaveta

E a imprensa, que requenta pautas de gaveta, insinuando o total descontrole do Governo sobre instituições que lhe são subordinadas, divulga fatos sem nem mesmo fazer a checagem das fontes. Dessa forma, corre-se o risco de transformar a Polícia Federal – pelo menos até agora tida como um órgão exemplar – em uma rede de intrigas a serviço de grupos paralelos, que poderia estar envolvida no episódio do grampo. Aliás, matérias de citam até o suposto motivo: o próprio Gilmar Mendes, que jogou um balde de água fria na PF, quando limitou o uso das algemas, depois do episódio da prisão do banqueiro Daniel Dantas. “Pra quê algemar um cidadão se ele não oferece perigo?”. A sentença do ministro deixou subentendido que “cidadão” é apenas gente de grana, esse pessoal envolvido com desvio de dinheiro público, aqueles crimes do “colarinho branco”. Por isso, a cúpula da PF e da ABIN teriam se unido para pegar o magistrado no pulo. “Não há melhor motivo pra grampear o ministro”, denuncia o lead da imprensa marrom, que investiga os fatos, julga e condena antecipadamente.

 

Roteiro de filme de Hollywood

Bem verdade que se ao invés de Dantas fosse preso um ladrãozinho pé-de-chinelo, que rouba um pacote de bolacha no supermercado, este poderia ter sido exposto à execração pública e midiática, algemado e descamisado, quase nu e só de cuecas, sem o menor pudor, mas sem a interferência do STF em seu favor. Para Mendes, sua decisão foi tomada pensando em “resguardar os direitos de todos os cidadãos brasileiros”. Será? Tenho minhas dúvidas.

Essa história do grampo do ministro e do senador é um caso complicado e cheio de mistério que dificilmente se chegará aos verdadeiros culpados. Poderá até surgir um bode expiatório, um “boi de piranha”, só pra acalmar os ânimos. Parece até roteiro de filme hollywoodiano: temos um elenco de primeira, uma trama emocionante e um final que promete ser surpreendente. A diferença é que nos filmes de Hollywood o mocinho sempre vence. Já nesse episódio “brasiliwoodiano” pode ser que no final o mocinho seja o bandido.

Ou será o contrário? Sathiagraha já diz tudo.

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O petróleo é nosso! Será?

Publicado por tancredojr em Setembro 23, 2008

O petróleo é nosso! Será?

Por Tancredo Junior – 21/09/08

 

 

Não está muito bem clara essa idéia do presidente Lula de criar uma nova empresa estatal para extrair o petróleo das novas bacias em águas profundas, no chamado pré-sal, descobertas pela Petrobras, com investimentos feitos pela própria empresa. A Petrobras é uma empresa mista, de capital aberto, com ações negociadas nas bolsas do mundo todo. O governo federal é dono da maior parte das ações e por isso tem o direito de controlá-la, nomeando presidentes e diretores. Os acionistas minoritários – pessoas físicas e grandes investidores de vários países – não tem direito a voto nas decisões da estatal. Apenas apostam que os papéis da companhia obterão valorização e rendimentos em médio e longo prazo.

Segundo especialistas, com as descobertas recentes os dividendos (os lucros) da empresa tendem a aumentar, uma vez que detendo o direito de explorar o óleo escondido há mais de seis mil metros de profundidade a transformaria em uma das mais rentáveis petrolíferas do mundo.

Todo mundo ganharia: governo e acionistas.

 

Mas pode não ser assim. Se vingar essa nova obsessão do governo petista, a Petrobras seria excluída da parada, e perderia os direitos de exclusividade sobre os poços recém descobertos.

Como ficam aqueles trabalhadores brasileiros que, incentivados pelo próprio governo federal, investiram seu FGTS na compra de ações da estatal, acreditando em seu crescimento no cenário mundial? A resposta é nebulosa, mas é quase unânime: poderão ter seus dividendos surrupiados e ver suas ações desvalorizadas, de repente.

Alegando que “o petróleo é nosso”, e que os lucros oriundos das novas reservas recém descobertas devem ser geridos exclusivamente pelo Estado e aplicados na geração de renda do povo brasileiro, o governo encampa uma nova campanha popularesca que engana os mais ingênuos.

 

Há quem diga que se a Petrobrás deixasse de ser dirigida pelo Estado seria bem maior e competitiva do que é. O governo manda e desmanda na empresa. Loteia cargos entre os aliados, e distribui empregos estratégicos para apadrinhados políticos sem conhecimento técnico.

Aliás, há uma coisa realmente boa que o governo faria: impedir que funções técnicas e administrativas na empresa sejam exercidas por gente sem qualificação, apenas por servidores públicos concursados e treinados.

Seria o primeiro passo para a moralização. Ao invés de criar uma nova empresa, basta deixar a atual nas mãos dos técnicos e diretores de carreira da própria Petrobras, gente treinada e capacitada que realmente entende do assunto. Assim, o petróleo continuaria sendo do Brasil, e os lucros gerados seriam satisfatórios para a nação e para os investidores.

O resto é puro populismo barato de um governo que se pauta pelo fisiologismo desenfreado.

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Pagando bem, que mal tem?

Publicado por tancredojr em Setembro 11, 2008

Navegando na Internet, a gente acaba lendo cada coisa louca e engraçada, muitas sem nexo, outras até esdrúxulas, pra falar a verdade.

No “Ponto de Vista” – um blog locado no WordPress, li sobre uma garota que lançou uma proposta inusitada – pelo menos pra mim – que é justamente vender a sua virgindade em um leilão na web. A idealizadora da idéia é uma jovem norte-americana de 22 anos, Natalie Dylan, moradora de San Diego, Califórnia.

Em entrevista ao tablóide inglês “Daily Telegraph”, Natalie diz que fará esse leilão simplesmente com o objetivo de arranjar uma grana para custear seus estudos na faculdade.

E se a moda pega?

  

Imaginem que coisa maluca. Colocar à venda a sua suposta primeira relação sexual. E não importa com quem, desde que dê o melhor lance. É aquele velho ditado: “pagando bem, que mal tem?”.

Esse episódio me fez lembrar um polêmico filme, “Proposta Indecente”, com a Demi Moore, Robert Redford e Woody Harrelson. A história gira em torno de uma bela mulher (Moore) que recebe uma proposta milionária para manter relações extraconjugais com um bilionário (Redford). E o marido dela (Harrelson) fica em uma sinuca de bico – o casal está quebrado, falido, precisa da grana – mas vive um dilema terrível, que é a péssima idéia de imaginar sua esposa com outro homem, mesmo que isso lhe traga a soloução para os problemas financeiros.

O filme é ficção, imaginação de fatos que supostamente poderiam ou não acontecer na vida real. Já o leilão virtual que a Natalie está fazendo é realidade, mesmo.

 

Sempre ouvia dos meus pais e avós na minha infância e adolescência que o mundo estava mergulhado em um caos moral. Mas na minha época não se ouvia falar esse tipo de maluquice.

Há uma neurose comportamental reinante no mundo de hoje. A liberalidade sexual perverteu de vez a moral e os bons costumes.

A banalização da vida, em todos os aspectos, está cada dia ficando mais generalizada. Em todas as áreas. Não é só na questão da promiscuidade sexual, amplamente divulgada e vendida pela mídia televisiva, que exibe em pleno horário nobre, em canais de TV aberta, cenas de nudez e sexo quase que explícito. As novelas que o digam.

 

Os liberais irão dizer que não há nenhum problema em uma garota vender seu corpo em um leilão. As prostitutas fazem a mesma coisa – oferecem sexo para qualquer pagante, só que a um valor fixo. Esse é o problema, acharmos tudo naturalmente correto, aceitável e tolerável no mundo globalizante de hoje.

A questão, de fato, é saber até que ponto a sociedade civilizada poderá aceitar e conviver com essas práticas modernas e achá-las normais.

Quando me perguntam se eu e minha esposa pretendemos ter mais um filho, a resposta é taxativa: Não. Sabe por quê? Porque está ficando insustentável educar uma criança atualmente. Com tanta diversidade de pensamentos, práticas, condutas, valores e crenças difundidas aos quatro ventos, já não sabemos se realmente vale a pena ver nossos filhos crescendo em um mundo tão maluco, promíscuo e confuso.

 

 

Resta-nos, enquanto seres humanos dotados de consciência e poder de reflexão, ainda uma chance de colocarmos o raciocínio em funcionamento e analisarmos, profundamente, se queremos continuar caminhando para um futuro coerente, ético e moralmente aceitável, ou se preferimos fechar os olhos e achar que está tudo bem, que cada um faz da sua vida o que quiser.

Se não refletirmos e repensarmos as nossas práticas e condutas morais, corremos sério risco de amanhã lermos na Internet a notícia de que alguém vende, não apenas seu corpo, sob o pretexto de ganhar grana para pagar a faculdade, mas que também oferece, por um bom preço, uma noite de sexo com sua filha adolescente e virgem, por exemplo, ou quem sabe com seu cônjuge. E os motivos não hão de faltar, serão muitos: pagar a hipoteca da casa própria, fazer uma lipoescultura na barriga, ou fazer aquela tão sonhada viagem à Disney.

É esperar pra ver. Estamos caminhando a passos largos, rumo a um mundo sombrio e medieval. E então, podem dar seus lances. Quem der mais leva!

 

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Tancredo Junior – http://www.publicitarget.com.br

 

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Baixo QI ou boicote, meu rei?

Publicado por tancredojr em Maio 5, 2008

Baixo QI ou boicote, meu rei?

 Por Tancredo Junior

Depois dos cursos de direito e pedagogia, agora o Ministério da Educação decidiu supervisionar 17 cursos de medicina, todos com notas abaixo da média no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), que avalia o conhecimento dos alunos, e no IDD (Indicador de Diferença de Desempenho), que compara o desempenho de calouros e formandos e mede o quanto o aluno absorveu de conhecimento na universidade.

De início, o MEC irá apenas notificar os cursos mal classificados – que terão, por sua vez, uma chance de tentar explicar o fracasso no exame -, e logo depois poderá tomar medidas punitivas, dentre elas cortar a oferta de vagas ou proibir que novos vestibulares sejam realizados.

Há duas notícias que sutilmente ecoam dessa avaliação: uma boa e outra péssima. A boa, é que o MEC demonstra que está de olho nas instituições superiores que não se adequam à qualidade de ensino. E a péssima, é que das 17 universidades listadas no ranking das “piores”, quatro são federais. São elas: UFAL (Universidade Federal de Alagoas), UFPA (Universidade Federal do Pará), UFAM (Universidade Federal do Amazonas) e UFBA (Universidade Federal da Bahia). Das quatro federais, a UFBA é uma das mais conceituadas, e detém o privilégio de ter criado o primeiro curso de medicina do país, em 1808.

Para o secretário de Educação Superior do MEC, Ronaldo Mota, “pode ter havido boicote dos estudantes ao exame”. Se houve, foi burrice dos alunos. Simplesmente, jogaram lama em si mesmos e marcaram um gol contra o próprio time. AFinal, é o diploma deles que está em jogo. Tudo bem que o brasileiro tem memória curta, e esse episódio logo será esquecido pela maioria. Mas pode ser que isso cause prejuízo a curto prazo para os recém formados. Quem vai querer contratar um médico formado na UFBA, sabendo que a instituição recebeu o selo “de baixa qualidade acadêmica”?

A explicação mais absurda para o vexame partiu de Antônio Dantas, coordenador do curso de medicina da UFBA. “O baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais [cordas], não conseguiria”. Pronto. A celeuma foi criada e o bá-fá-fá eclodiu, principalmente, entre os baianos. Para Dantas, não houve boicote. A culpa é da lerdeza mental, típica de quem é nascido na terrinha, salvo algumas exceções. Em suas palavras, o problema está no “baixo QI (quociente de inteligência) dos baianos”.  E tal lentidão cerebral seria um fator hereditário, facilmente comprovado por quem convive com o pessoal da terra do acarajé e do carnaval.

Se for hereditário, o baixo QI dos baianos não seria constatado apenas nos estudantes da UFBA, mas em todos: alunos, professores, coordenadores de curso e reitores, extensível para os não-acadêmicos, também. É a lógica mais sensata, se partirmos do pressuposto de que o pensamento de Dantas está correto. Ele próprio estaria incluído nessa deficiência, afinal é baiano da gema.

Quem sabe, se houvesse um exame para avaliar o nível intelectual dos docentes da UFBA, incluindo no mesmo balaio de gato o próprio Dantas, não teríamos uma surpresa? O resultado poderia revelar que baixo QI não é uma dádiva exclusiva de estudantes e pessoas comuns, mas de gente que roga para si a sapiciência suprema. Fica registrada essa sugestão para o MEC: fazer um exame nacional para avaliar o conhecimento transmitido por professores de faculdades públicas e privadas. Seria um tira-teima intelectual. Quem é mais burro e tem menos QI? Alunos ou docentes?

Se o conceito 2 atribuído à UFBA no Enade e no IDD revelar, de fato, que houve boicote dos estudantes ao provão, estamos diante de duas prováveis causas: a obrigatoriedade de realizar o exame; e a discordância da maioria dos estudantes em relação às regras de classificação e avaliação das instituições. Conheço várias pessoas que fizeram a prova por pura obrigação, sem o menor compromisso em responder corretamente as questões, colocando em xeque o resultado final do exame, que é justamente a avaliação do conhecimento obtido pelo aluno em sua universidade. No fim, uma boa universidade pode ser execrada por causa da falta de comprometimento de seus alunos.

Para acabar com o boicote, ou mudam-se as regras classificatórias das instituições de ensino ou extingue-se, de uma vez por todas, a obrigatoriedade do exame. Sou a favor da segunda opção. Não significa que eu esteja defendendo as universidades federais, muito menos fazendo apologia ao boicote. Só não gosto de compartilhar desse tipo de obrigação que nos é imposta, passivamente. Somos obrigados a votar, apesar de vivermos em uma democracia. Quem não vota, não pode fazer isso ou aquilo, não pode tirar documentos ou prestar concursos, por exemplo. Quem não faz o Enade não recebe o diploma. Coisas desse tipo, que nos faz parecer uma republiqueta de araque.

Ainda em relação a UFBA, é importante ressaltar que a frase do senhor Antônio Dantas foi infeliz, mas inegavelmente carregada de um sarcasmo incomum. Uma brincadeira que ele quis fazer com aquele jeito “tranqüilo” de ser dos baianos. Além de tocar o berimbau, instrumento típico que dá a cadência das lutas nas rodas de capoeira, o baiano vive e transpira música, arte e cultura, sem falar naquela simpatia e alegria que lhe são peculiares. De lá vieram a inovação do trio elétrico de Armandinho, Dodô e Osmar, o som contagiante da guitarra de Pepeu Gomes, a “axé music”, que revolocionou o mercado fonográfico nos anos 80, mesmo criticada pelos supostos defensores da boa música brasileira. Me lembro que nos anos 90, quando trabalhava em emissoras de rádio FM na Bahia, eu ficava injuriado com a profusão de música descartável que o pessoal de lá fabricava. Detestava o Luis Caldas e o Ricardo Chaves, e não entendia como eles faziam tanto sucesso nas rádios e programas de TV em todo Brasil.

Mas não é só de axé music que vive a Bahia. Ela nos deu a Tropicália de Gil, Caetano, Gal, Bethânia, Moraes Moreira e dos Novos Baianos. O rock tupiniquim de Raul Seixas. A irreverência de Tom Zé. A bossa nova de João Gilberto. As belas canções na voz firme de Dorival Caimmy. O rock contemporâneo de Pitty. No cinema, o imortal Glauber Rocha deixou sua marca. No direito, destacamos Anísio Teixeira, Gregório de Matos, Conselheiro Saraiva, Luís Gama. Na literatura, Castro Alves, Afrânio Peixoto, Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro. A Bahia também exportou diplomatas renomados, tais como Ruy Barbosa, Miguel Calmon, Domingos Borges de Barros. E artistas plásticos, como Calasans Neto e Mário Cravo.

Citamos apenas alguns baianos famosos. Há muitos outros. Pessoas que mudaram o seu tempo e se tornaram referência naquilo que faziam de melhor. Pelo histórico desses ilustres nascidos na Bahia, com certeza o resultado do Enade não tem nada a ver com questão de falta de inteligência. É apenas um deslize, um vacilo cometido por jovens estudantes de uma universidade pública conceituada, que decidem protestar contra as regras do MEC fazendo um boicote ao exame. Com isso, perderam uma boa oportunidade de honrar a tradição dos seus inteligentes conterrâneos. Vão carregar, pro resto da vida, o peso da decisão que tomaram, e serão sempre lembrados como os “alunos de baixo QI da UFBA”.

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Tancredo Junior, 35 anos, baiano de Feira de Santana, casado. Radialista e teólogo, atualmente é aluno do 5º semestre de Jornalismo, na UNIP, e sócio-diretor da empresa de comunicação Publicitarget Comunicação sem Limitees  www.publicitarget.com.br

 

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Deixar o carro em casa: uma tarefa complicada para o paulistano

Publicado por tancredojr em Maio 1, 2008

    Deixar o carro em casa: uma tarefa complicada para o paulistano                                           

                                                                                                                                         

                                                                                                                    Por Tancredo Junior – 30/04/08

 

A preocupação com a mobilidade no trânsito das grandes metrópoles, e consequentemente com a questão ambiental, tem gerado pesquisas e projetos de governos e ONGs do mundo inteiro, com o objetivo de amenizar os transtornos causados pelo péssimo hábito que adquirimos de usar o automóvel no dia-a-dia, em detrimento do transporte público.

De um lado, os motoristas reclamam da lentidão provocada pelo excesso de automóveis nas ruas. Por sua vez, os ambientalistas e especialistas em saúde afirmam que, cada vez mais, aumentam os casos de doenças respiratórias causadas pela poluição oriunda do monóxido de carbono despejado em toneladas, diariamente, nos grandes centros. E os mais afetados são os mais indefesos: idosos e crianças.

O rodízio municipal em São Paulo, por exemplo, foi uma das alternativas encontradas para tentar minimizar os efeitos provocados pelo complexo trânsito na capital paulista, a cidade com a maior frota de veículos do país.

Estima-se que só em São Paulo são emplacados, diariamente, cerca de mil automóveis novos, totalizando mais de 300 mil unidades por ano.

 

A idéia do rodízio ameniza, em parte, a questão do excesso de veículos em tráfego, mas não diminui a poluição por eles causada. É o que aponta um importante estudo publicado em 2006, elaborado pelo Laboratório de Poluição da Universidade de São Paulo (USP), que revela que na capital paulista e em outras grandes cidades do mundo cerca de 80% do ozônio e 40% do material particulado lançado diariamente na atmosfera são provenientes da frota de veículos movidos a diesel. Ou seja, no caso de São Paulo, a poluição mais consistente é provocada pela frota de veículos de grande porte: ônibus e caminhões, movidos a diesel. A solução para amenizar a poluição advinda do combustível a diesel seria investir em transporte público sobre trilhos, no caso metrô e trem.

O estudo aponta, ainda, que quando a poluição em São Paulo fica mais concentrada, os moradores tornam-se alvos fáceis de problemas respiratórios que podem provocar aumento da pressão arterial, ocasionando, frequentemente, casos de óbito (cerca de nove mortes por dia devido à poluição). Isso significa de 5% e 10% do número total de mortes na capital.

 

Uma das alternativas é conscientizar o cidadão a deixar o carro em casa e utilizar os meios de locomoção oferecidos pelo Estado.

No ano passado, o “World Car Free Day” (Dia Mundial Sem Carro), evento internacional realizado com a intenção de convidar os motoristas a deixarem seus carros em casa pelo menos por um dia foi o tema de uma pesquisa do Ibope, que ouviu a opinião dos paulistanos sobre o hábito de usar o carro frequentemente.

O objetivo da pesquisa era medir a adesão ao movimento, além de mensurar o nível de conscientização a respeito da questão ambiental.

 

Do total de entrevistados pelo Ibope, 53% eram mulheres e 47% homens, dos quais 44% possuiam o ensino médio, e 10% o nível superior.

A pesquisa revela que a maioria dos paulistanos (58%) não tem carro em casa, e que 42% têm carro.

O percentual de pessoas que afirmam utilizar o automóvel todos os dias/quase todos os dias soma 22%, e quem mais usa está na zona oeste: 32%.

 

Sobre o “World Car Free Day”, apenas 18% citam conhecer esse dia; 9% citaram outras opções relacionadas ao Dia Mundial Sem Carro. Segundo o Ibope, a classe A/B foi a que mais tomou conhecimento da data: 66%, seguido de 49% da C e 39% da D/E. Para os entrevistados, a avaliação do dia mundial sem carro foi considerado “Ótimo”, para 31%, e “Bom”, para 38%.

Em resposta à pergunta “Deixaria de usar o carro caso houvesse uma boa alternativa de transporte?”, 47% responderam “com certeza deixaria”, e 23% “provavelmente deixaria”. Apenas 4% opinaram “dificilmente deixaria” e 25% “não deixaria de usar”. Esses dados revelam que cerca de 70% dos paulistanos estariam dispostos a deixar o carro na garagem e utilizar o transporte público. Ou seja, a pesquisa aponta que há 1,2 milhões de pessoas (15% dos paulistanos) com potencial de mudança de hábito em relação ao uso constante do automóvel.

Isso já é um começo. Cabe, agora, aos governantes, cumprir a sua parte: promover políticas eficazes de incentivo ao uso de transporte público, antes, é claro, investindo em qualidade e eficiência.

Só assim, a atitude de deixar o carro em casa seria mais que uma obrigação. Seria um prazer, e não uma tarefa complicada.                                                                          

 

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A farra do carro zero

Publicado por tancredojr em Abril 8, 2008

CRÔNICA DO TAN                                                                                07/04/08 

                                                   A farra do carro zero

                                                                                 Por Tancredo Junior

 

Um amigo meu me contou que resolveu comprar um carro novo popular. Reservou o equivalente a 20% do valor do automóvel para dar de entrada e amortecer no financiamento. Para sua surpresa, o vendedor lhe convenceu a comprar um modelo mais completo, em 99 prestações, sem entrada, com seguro e IPVA já inclusos. E o dinheiro da entrada? “Coloquei um som de primeira, rodas de liga leve aro 17, vidros escuros e ainda sobrou um troco pra passar o feriadão na baixada com a família”, disse ele, eufórico com o negócio que fez.

Na verdade, ele não comprou simplesmente um carro, comprou um e vai pagar dois. Assumiu uma dívida que vai lhe custar quase o dobro do valor do bem adquirido, só de juros, além de consumir mais da metade da renda familiar todo santo mês. Essa conta ele se esqueceu de fazer.

 

 

Nunca se vendeu tanto carro no Brasil

 

O Brasil vive o seu melhor momento na história da indústria automobilística. As montadoras projetam pesados investimentos na ampliação das fábricas para atender a demanda cada vez mais crescente. Nunca se vendeu tantos automóveis no País. Só na cidade de São Paulo, são emplacados, diariamente, cerca de mil novos carros. Fazendo-se uma conta bem simples, podemos chegar a mais de 26 mil automóveis por mês, ou seja, 312 mil por ano. A capital paulista está abarrotada de veículos, e até mesmo o rodízio municipal já não é suficiente para por em ordem o lento e estressante anda-e-pára.

 

Não há especialista em planejamento de trânsito que consiga achar uma solução eficiente pra tanto carro nas ruas da cidade. A CET que o diga. Tenta, em vão, criar rotas alternativas e minimizar os recordes sucessivos de congestionamentos diários que antes tinham horários certos para acontecer, mas que agora ocorrem a todos os momentos, imprevisíveis.

 

“A culpa é do financiamento fácil”, dizem os mais ortodoxos. Ao comentar sobre a situação caótica do trânsito em São Paulo, um experiente jornalista expressou sua opinião, em rede aberta de TV, saindo-se com uma máxima do tipo “hoje, com qualquer cinqüenta merréis por mês, um cidadão compra um carro zero, provocando esse congestionamento infernal que estamos vendo”.

A verdade é que o brasileiro é apaixonado por carro, e com tanta facilidade ao seu dispor, quem tem uma renda mínima comprovada não vai pensar duas vezes para adquirir o seu “pois é”. Perguntem a qualquer indivíduo quais são sonhos e ele vai responder “ter minha casinha e meu carrinho”.

 

 

Além da questão do financiamento fácil, existe o problema do trânsito, cada dia ainda mais lento e insuportável.

 

Uma das opções sugeridas pelo pessoal da equipe econômica do Lula para conter esse boom nas vendas seria limitar o número de parcelas do financiamento, em no máximo 36 meses.

A indústria, logo de cara, não gostou da idéia. “Noventa e nove prestações é muito”, disse o ministro Mantega, que ameaçou colocar um limite na farra do carro zero. Só ameaçou, depois disse que não disse isso, e no fim ficou assim mesmo. Impossível impor limites quando a economia está aquecida e gerando renda.

Os comerciais no rádio e na televisão incitam o consumidor. Os anúncios com apelo gráfico nos principais jornais e revistas não deixam por menos: “compre seu carro zero em até 99 prestações sem entrada!”. É tentador. E perigoso, também.

O perigo está na qualidade das concessões desses créditos. O presidente Lula demonstrou essa preocupação. Talvez a equipe econômica do governo esteja temerosa que aconteça aqui o que aconteceu lá nos EUA, com o financiamento indiscriminado dos imóveis, que resultou na quebra de dezenas de bancos, obrigando o Federal Reserve a injetar bilhões de dólares na economia para evitar um colapso no sistema financeiro. Será?

Deixar o carro em casa e usar o “péssimo” transporte público. Quem se habilita?

 

“O negócio é deixar o carro em casa e andar de ônibus e metrô, só assim o trânsito melhora”. Pelo menos é isso que as autoridades no assunto defendem. E assim o fazem por não utilizarem os meios de transporte público que a maioria da população faz uso no dia-a-dia. Gostaria de ver o Kassab e sua equipe de secretários pegando os trens de subúrbio lotados, ou os ônibus que fazem fila nos corredores logo no início da manhã, parecendo latas de sardinha, com gente pendurada nas portas, num calor insuportável. Sem falar naqueles motoristas mal-humorados, que até parecem estar dirigindo uma carreta de bois, freando bruscamente e dando uns trancos insuportáveis na troca das marchas. O sujeito chega ao trabalho cansado, nervoso, atrasado e ainda leva bronca do patrão.

 

Para convencer as pessoas a deixarem os seus carros na garagem, seria fundamental a criação de políticas públicas de investimentos maciços em transporte de qualidade e eficiente. Mais corredores e ônibus confortáveis e com ar-condicionado seriam medidas interessantes, para começar. Já leram aquela frase impressa na lateral de alguns ônibus, que diz que o transporte público é direito do cidadão e dever do Estado? Então, está na hora de se fazer valer esses direitos e deveres.

 

 

A tentação de comprar um carro zero também me rondou.

 

Confesso que, apesar de relutar muito, ainda permaneço solidário aos usuários do sistema de transporte provido pelo Estado. Até criei uma campanha intitulada “Deixe seu carro em casa e ganhe de presente uma viagem interminável e desconfortável no transporte público”. Já tenho alguns adeptos – bem poucos, eu sei, que aderiram por livre e espontânea necessidade, mesmo.

Mas paciência tem limites. De tanto ser amassado e pisoteado nos buzões dessa Sampa de meu Deus, quase me deixei convencer de que deveria engrossar as fileiras dos neomotorizados. Afinal, que diferença faz um carro a mais disputando espaço com os motoboys em nossas ruas e avenidas?

 

Um processo de tentativa de convencimento começou com os amigos. Uma trama ardilosa para me fazer sair do MSC – Movimento dos Sem-Carro. “Deixa de ser bobo, rapaz! Compra um carro zero, é melhor do que andar apertado”, me alfinetou o líder deles. Até em casa o complô se formou contra mim. Minha mulher soltou esta pérola: “Se eu fosse você, comprava aquele carro dos seus sonhos!”. Como me livrar de tamanha persuasão feminina, oriunda justamente daquela que conhece os meus planos frustrados de ser um piloto de Fórmula Um? Até o meu filho, aficionado por carros, inflou o meu ego: “Já pensou você naquele carrão, pai?! Show de bola! Você merece!”. Pronto. A dúvida fora semeada em meu coração defensor do projeto “deixe o carro em casa”.

A tentação se agigantou quando recebi uma carta do meu banco me informando que eu tinha um crédito já aprovado para financiar um automóvel, qualquer modelo, até mesmo aquele dos meus sonhos! Tudo parecia estar contra mim. Acabaria vencido pelo voto da maioria. O inimigo mortal do financiamento e dos carros nas ruas seria neutralizado!

 

Dois dias depois estava eu, passando em frente a uma concessionária, e lá estava o bendito carrão, todo reluzente, prateado, como se olhasse para mim e me convidasse a fazer um test-drive e o levasse para minha garagem. Resisti-lhe duramente e dei meia volta. Não poderia – pensei com os meus botões – cometer dois erros de uma só vez: entrar em um financiamento de “suaves” noventa e nove prestações, ao mesmo tempo em que passaria a fazer parte do clube dos motoristas estressados de São Paulo. Era contra os meus princípios.

Preferi deixar como estava. Pelo menos, por enquanto. Continuo a acreditar que a melhor solução para minimizar os problemas dos extensos congestionamentos nas grandes cidades é justamente deixar o carro em casa. Pelo menos, até o dia em que eu me cansar de vez e decidir sair do aperto e calor dos ônibus e trens para trafegar em um moderno, confortável e climatizado carango com câmbio automático.

                                                            *****                                                  TFSJ

 

Tancredo Junior, 35 anos, é casado, radialista, teólogo e acadêmico de Jornalismo na UNIP.

 

Link para este texto no Blogspot: http://tancredojr.blogspot.com/2008/04/farra-do-carro-zero.html#links

 

 

 

 

 

 

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Teo…o quê?

Publicado por tancredojr em Fevereiro 26, 2008

Dia desses resolvi escrever alguma coisa relacionada à dificuldade que temos de compreensão de diversas palavras, às vezes, até mesmo pela semelhança entre elas. Algumas são proferidas por certos “pregadores e ensinadores” mais bem instruídos do que nós e a maioria dos membros das igrejas – que ficam, coitados, sem entender o significado de vocábulos tão complexos – e que por falta de vontade, ou por simplicidade, não buscam saber o que quer dizer as tais. Então, procurei nas minhas anotações da faculdade, fiz uma busca na minha memória, vasculhei os dicionários e resolvi detalhar, com uma pitada de bom humor, as principais pérolas, todas iniciadas com a letra “t”.
Teologia: tratado de Deus, doutrina que trata das coisas divinas, doutrina da religião cristã, ciência que tem por objeto o dogma e a moral. Provém do latim theo+logia. Palavra muito em voga hoje em dia, é atribuída aos entendidos teólogos, que usam dos conhecimentos da teologia para difundir seus ensinamentos e pensamentos doutrinários acerca de Deus. Hoje é muito fácil aprender a matéria e se tornar um ‘teólogo’. Quem se habilita?
Teopsia: é a suposta aparição súbita de uma divindade. Do grego theos+opsis. Não é o mesmo que a Teofania! Veja, suposta aparição…suposição denota uma hipótese, alegação, dá margem para dúvidas.
Teomancia: suposta adivinhação por inspiração divina. Do grego theomanteia. De novo, a suposição. Tá cheio de gente que abusa dessa prática, confundindo profecia com adivinhação. Olhos abertos. Cuidado!
Teomania: loucura ou mania em que o paciente se julga Deus ou inspirado por Deus. Do grego theomania. Você conhece alguém que tem essa mania? Diferente da megalomania, que é a mania de grandeza, o teomaníaco pensa que é Deus. E olha que tem surgido uns que acham que é Deus. Vê se pode! Eu, hein…
Teodicéia: parte da filosofia, que trata de Deus, de sua existência e de seus atributos. Provém do grego theos+dike. Muitas pessoas pensam que a filosofia descarta a existência de Deus. Na verdade, estuda e busca – não as aparências, mas o sentido, a essência, o princípio das coisas, mergulha fundo no ser humano e na razão de ser das coisas. A filosofia tem vários campos de estudo: a lógica, a ética, a estética, a política e a metafísica (mas isso tudo é assunto pra uma outra oportunidade)! Derivada do grego e latim philosophia, significa ‘amor, amizade, apego à sabedoria; amigo do saber, do conhecimento’ – philo (amizade, amor, apego) + Sophia (sabedoria, conhecimento). Portanto, um filósofo é um amigo de Sofia, amigo da sabedoria! O rei Salomão era amante da sabedoria, um filósofo de mão cheia. Para ele, Deus é a própria sabedoria e quem a encontra descobre o verdadeiro sentido da vida. O livro de Provérbios, de sua autoria, é cheio de filosofia e um verdadeiro chamado ao saber e atribui ao conhecimento valores inestimáveis. Se você se chama Sofia faça jus ao nome!
Teocracia: governo em que o poder é exercido pela classe sacerdotal. Do grego theokratiu. Era assim com o império romano, que conquistou e oprimiu quase todo o mundo na época dos Césares, tudo em nome de Deus. Com a igreja romana os governos eram constituídos sob a égide e controle dos Papas. Uma espécie de teocracia atual é o governo do Irã, formado por religiosos extremistas – os Aiatolás, que apóiam os homens-bomba em nome de Alá.
Teogonia: conjunto de divindades cujo culto constitui o sistema religioso de um povo politeísta; genealogia dos deuses. Do grego theogonia. Dois exemplos de paises politeístas, que cultuam milhares de deuses: Japão e Índia. Na Índia, até rato é adorado como se fora um deus. E olha que dizem que a população mundial de ratos é maior que a humana. Já pensou se essa ratazanada fosse adorada indiscriminadamente? Sobrariam deuses e faltariam adoradores.
Teosofia: doutrina de várias seitas que pretendem achar-se iluminadas pela divindade e intimamente ligadas com ela. Ciência de Deus, iluminismo. Do grego theo+sofia. É o caso de seitas orientais – aquelas denominadas ‘zen’, e do ecumenismo moderno.
Teofania: aparição ou revelação da divindade. Palavra de origem grega: theophania. Antigamente, os judeus criam na teofania, na aparição eventual de Deus. Essa aparição ocorreu no mar da Galiléia, quando Cristo apareceu aos discípulos caminhando por sobre as águas. Foi um espanto, Deus estava passando por eles!Também aconteceu no monte Horebe, quando Moisés viu o fogo ardente que não consumia a sarça. E ainda, com Elias, que sentiu a aparição de Deus na brisa suave. Ou com Saulo de Tarso, a caminho de Damasco, quando Deus lhe apareceu por meio de uma luz muito forte que o deixou cego. Atualmente, até onde eu saiba, a teofania não acontece mais como antigamente. Porque será, já que a Bíblia fala que Deus é o mesmo ontem e hoje e ele não muda? Resposta óbvia: nós é que deixamos de acreditar que Ele quer passar por nós.
Espero que você tenha gostado. Grande abraço!

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