Pagando bem, que mal tem?
Publicado por tancredojr em Setembro 11, 2008
Navegando na Internet, a gente acaba lendo cada coisa louca e engraçada, muitas sem nexo, outras até esdrúxulas, pra falar a verdade.
No “Ponto de Vista” – um blog locado no WordPress, li sobre uma garota que lançou uma proposta inusitada – pelo menos pra mim – que é justamente vender a sua virgindade em um leilão na web. A idealizadora da idéia é uma jovem norte-americana de 22 anos, Natalie Dylan, moradora de San Diego, Califórnia.
Em entrevista ao tablóide inglês “Daily Telegraph”, Natalie diz que fará esse leilão simplesmente com o objetivo de arranjar uma grana para custear seus estudos na faculdade.
E se a moda pega?
Imaginem que coisa maluca. Colocar à venda a sua suposta primeira relação sexual. E não importa com quem, desde que dê o melhor lance. É aquele velho ditado: “pagando bem, que mal tem?”.
Esse episódio me fez lembrar um polêmico filme, “Proposta Indecente”, com a Demi Moore, Robert Redford e Woody Harrelson. A história gira em torno de uma bela mulher (Moore) que recebe uma proposta milionária para manter relações extraconjugais com um bilionário (Redford). E o marido dela (Harrelson) fica em uma sinuca de bico – o casal está quebrado, falido, precisa da grana – mas vive um dilema terrível, que é a péssima idéia de imaginar sua esposa com outro homem, mesmo que isso lhe traga a soloução para os problemas financeiros.
O filme é ficção, imaginação de fatos que supostamente poderiam ou não acontecer na vida real. Já o leilão virtual que a Natalie está fazendo é realidade, mesmo.
Sempre ouvia dos meus pais e avós na minha infância e adolescência que o mundo estava mergulhado em um caos moral. Mas na minha época não se ouvia falar esse tipo de maluquice.
Há uma neurose comportamental reinante no mundo de hoje. A liberalidade sexual perverteu de vez a moral e os bons costumes.
A banalização da vida, em todos os aspectos, está cada dia ficando mais generalizada. Em todas as áreas. Não é só na questão da promiscuidade sexual, amplamente divulgada e vendida pela mídia televisiva, que exibe em pleno horário nobre, em canais de TV aberta, cenas de nudez e sexo quase que explícito. As novelas que o digam.
Os liberais irão dizer que não há nenhum problema em uma garota vender seu corpo em um leilão. As prostitutas fazem a mesma coisa – oferecem sexo para qualquer pagante, só que a um valor fixo. Esse é o problema, acharmos tudo naturalmente correto, aceitável e tolerável no mundo globalizante de hoje.
A questão, de fato, é saber até que ponto a sociedade civilizada poderá aceitar e conviver com essas práticas modernas e achá-las normais.
Quando me perguntam se eu e minha esposa pretendemos ter mais um filho, a resposta é taxativa: Não. Sabe por quê? Porque está ficando insustentável educar uma criança atualmente. Com tanta diversidade de pensamentos, práticas, condutas, valores e crenças difundidas aos quatro ventos, já não sabemos se realmente vale a pena ver nossos filhos crescendo em um mundo tão maluco, promíscuo e confuso.
Resta-nos, enquanto seres humanos dotados de consciência e poder de reflexão, ainda uma chance de colocarmos o raciocínio em funcionamento e analisarmos, profundamente, se queremos continuar caminhando para um futuro coerente, ético e moralmente aceitável, ou se preferimos fechar os olhos e achar que está tudo bem, que cada um faz da sua vida o que quiser.
Se não refletirmos e repensarmos as nossas práticas e condutas morais, corremos sério risco de amanhã lermos na Internet a notícia de que alguém vende, não apenas seu corpo, sob o pretexto de ganhar grana para pagar a faculdade, mas que também oferece, por um bom preço, uma noite de sexo com sua filha adolescente e virgem, por exemplo, ou quem sabe com seu cônjuge. E os motivos não hão de faltar, serão muitos: pagar a hipoteca da casa própria, fazer uma lipoescultura na barriga, ou fazer aquela tão sonhada viagem à Disney.
É esperar pra ver. Estamos caminhando a passos largos, rumo a um mundo sombrio e medieval. E então, podem dar seus lances. Quem der mais leva!
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Tancredo Junior – http://www.publicitarget.com.br
Thiago disse
Gostei do texto, mas já teve outros dois casos de meninas que puseram a virgindade a leilão
Eu, particularmente, vejo o caso da jovem Natalie pela ótica da liberdade individual, ela faz o que quiser com seu corpo, mas não é o fato de usar o dinheiro para pagar a faculdade ou comprar drogas que vai tornar a atitude dela mais ou menos aceitável.
Não podemos esquecer que existem várias jovens universitárias que fazem o mesmo, e muitas profissionais formadas podem ter feito o mesmo. Ou seja, sua médica, advogada, ou até a professora do seu filho pode ter se prostituído para pagar a faculdade. EU não acho que isso as tornem profissionais melhores ou piores, mas é claro que depende do ponto de vista.
O problema do leilão, a meu ver, é a publicidade que se cria em torno de casos como esse. Pode ser que seja prejudicial para uma criança, por exemplo, saber que no mundo em que ela vive as pessoas se vendem por dinheiro, vendem também seus valores morais e éticos para ascenderem socialmente e profissionalmente, afinal não é só o corpo que ela está vendendo, mas sua imagem, e por que não uma imagem de pureza. Pureza esta que se perde, mais uma vez corrompida pelo dinheiro.
O engraçado é ver que o dinheiro te dá aquilo que você quiser, e não importa seus valores morais. Com ele você consegue a virgindade de uma desconhecida, consegue-se a impunidade, consegue-se a aprovação de leis que sejam de seu interesse, e o mais importante, consegue-se mais e mais dinheiro.
desculpe pelo tamanho do comentário, mas o assunto é muito complexo.